“NA VISÃO DO GENTIL”. Entrevista com Dennis Prants - 22.11.2013

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(TOUCHDOWN) Como você analisa a campanha do Breakers na temporada regular do Torneio Touchdown V? A equipe superou suas expectativas? O Breakers é um time em ascensão. Muitos analisam o time sem levar em conta que essa equipe acabou em 2009, após uma separação ficaram em Jaraguá do Sul em torno de 15 jogadores. Levaram muito tempo para se reerguer, tentar novos atletas e se reestruturar. Em 2011 Quando cheguei ao time, antes de assinar qualquer coisa, analisando um treino de fora, eram 20 jogadores tentando treinar Futebol Americano, com raça, vontade, mas sem um sistema de treinos, sem organização adequada. Um time sem planejamento. Dizer que esse time tem alguma obrigação de ser campeão ou que tem que provar algo é falar sem conhecimento algum do que aconteceu nos últimos quatro anos aqui. É não ter conhecimento do que acontece em Santa Catarina. O Breaker e o T-Rex bateram de frente com injustiças promovidas por uma “Liga Catarinense” que ameaçou punições severas se o time disputasse o TTD e não o outro campeonato, inclusive divulgando notas na imprensa de Santa Catarina, foram os únicos com “CULHÃO” em SC para enfrentar e trabalhar independentes! Daí vem um dos fatores da evolução da equipe. Enfrentamos muitos problemas com ex-jogadores, alguns torcedores, que queriam disputar um estadual, este sem credibilidade alguma, com o time praticamente sem jogadores. Para disputar um estadual o Breakers precisaria de uma Liga séria, isso não existe em Santa Catarina. De pelo menos mais dois treinadores e de mais 30 atletas. Sou contra um atleta jogar dois campeonatos por ano. Tomamos uma decisão, tive apoio total do time que aí está hoje, de não jogarmos mais estaduais e focar nosso trabalho na Liga Nacional. Isso nos deu tempo para fazer boas Pre temporadas, montar atletas, cuidar da parte física de todos. O Breakers de três anos para cá evoluiu, tecnicamente, mentalmente e extra campo. A torcida cresceu, a cidade abraça o time hoje como o esporte principal. Nós começamos 2013 com uma pré-temporada complicada, com toda a ação política e suja do pessoal que acaba com o Football no estado, nenhum time aceitava jogar contra a gente. Foi ridículo, treinamos muito, jogamos apenas um jogo treino (que vocês chamam de amistoso). Por isso o time fez o primeiro teste verdadeiro já em campo contra a Lusa. O planejamento foi feito para que a equipe estivesse no auge físico e técnico próximo aos Playoffs, isso deu certo, infelizmente, quando se tem poucos jogadores, as contusões atrapalham bastante uma evolução maior. O Breakers conseguiu, até agora, demonstrar que consegue se adaptar e passar por cima de todas as adversidades. Prova disso é a união da nova diretoria que está fazendo um ótimo trabalho, hoje, por exemplo, treinaremos no campo de jogo, na próxima semana da mesma forma, o que não é fácil. Quanto a superar expectativas, ainda não, pois nesse caminho de dois anos foram muitos obstáculos. Aqui todo dia é um problema diferente, é trabalho sério e muita dedicação de todos para que esse time se torne um dos melhores do país. Ainda falta muito: ter uma roster com mais de 60 jogadores, uma pré-temporada com bons jogos, um time sub 19 para colher frutos no futuro, patrocinador forte para que os jogadores consigam treinar de 4 a 5 dias da semana tranquilos, pensando somente em performance como atleta, estrutura de treinos adequadas para este esporte e se alguém pensar que isso é Brasil, que as coisas demoram, que estou querendo demais, bom é isso, o fator principal da evolução da equipe foi essa mudança de postura. Os atletas, a staff, a torcida em Jaraguá hoje não olham o Football como algo novo, mas sim um esporte a ser trabalhado com seriedade.   (TOUCHDOWN) Antes deste último jogo, o Breakers nunca havia vencido uma partida de playoff do Torneio Touchdown. Você acredita que, por causa desse fato, os jogadores entraram um pouco nervosos para o duelo? Não. Ninguém entrou nervoso por nunca ter vencido isso ou aquilo. As duas equipes entraram com muita sede, muita vontade. Para quem é de fora, Breakers e T-Rex são rivais, todos dão a vida para ganhar esse jogo, sempre é tenso, sempre é complicado. Se fosse um jogo treino seria assim, mas, aí você coloca o fator vaga na semifinal, chuva, os problemas que as duas equipes enfrentaram nos últimos 45 dias. Tudo isso foi levado para campo, tudo foi deixado em campo no sábado. São duas equipes que se respeitam demais, não existe ódio ou qualquer imbecilidade assim, mas, a rivalidade é gigante.   (TOUCHDOWN) Quais as expectativas para o jogo contra o V. G. Patriotas? Vencer essa partida seria o momento mais gratificante de sua carreira como técnico de futebol americano?  Expectativa de fazer um jogo com qualidade. Vencemos o T-Rex e não consegui comemorar. Eu amo Football, mas o Football com qualidade, de alto nível e as duas equipes jogaram um jogo ruim. Com o Vasco, espero o melhor jogo da temporada. Qualidade. Quanto a vencer e colocar isso como algo gratificante em minha carreira, não. Trabalhar com Football, de forma profissional é gratificante para mim. Poder treinar 43 caras como eu treino, ter a torcida que hoje temos, jogar bem, independente do resultado, isso é o que vale. Ver um atleta meu levar um soco em um jogo, virar as costas e sair pela sideline sem falar um A, isso vale, ver meu RB principal não se preocupar em fazer TDs e sim ajudar a equipe com ótimos bloqueios, isso vale. Ensinar o verdadeiro Football, vale muito. Vencer o Vasco? Significa ir á final do campeonato Brasileiro de Football. Mas, lembrando, não é o time de final de semana de praia do Zézinho, é o Patriotas, para vencê-los, teremos que ser perfeitos no sábado.    (TOUCHDOWN) O Breakers é a única equipe que tem a possibilidade de fazer os próximos dois jogos em casa. A força da torcida pode ser um diferencial em partidas tão acirradas? Esse é um dos fatores que move o Breakers. Nossa torcida é fanática, a cada jogo cresce o número de pessoas que vai ao estádio. É uma torcida que entende do esporte, que apoia sabendo do sacrifício de cada membro do time. Há algum tempo atrás eram somente familiares nas arquibancadas, mas hoje o time coloca 3 mil pessoas gritando quando tem que gritar, em silêncio na hora que tem que calar, é disparada a melhor torcida de Football do país. (TOUCHDOWN) Abrindo espaço para falar de seus jogadores, quais foram as peças de seu elenco que mais te surpreenderam nesta fase final de competição? Os 43 do roster. Todos! Não tem um jogador que não me surpreenda. É incrível, quando um jogador falha e sempre tem alguém para ajudar. Uma equipe de 43 operários em busca do mesmo objetivo, esse é o Breakers. Falar de um ou dois jogadores é muito injusto. O verdadeiro Football, sem mídia, sem querer fazer ídolos, é isso, aqui são 43 caras querendo a mesma coisa e lutando para isso todos os dias, não importando quem vai ser o cara que cruza a linha inicial da endzone, são 43 que trabalham para essa bola cruzar e ninguém invadir nossa área.   (TOUCHDOWN) Pela sua bagagem no futebol americano brasileiro, como você analisa a evolução das equipes do Torneio Touchdown? A evolução de uma equipe deve ser analisada de duas formas, as novas e as já antigas. As novas, que fizeram uma vitória em um ano e faz duas no ano seguinte, qualquer um diria que foi um salto gigante, pois foi o dobro de vitória. As já mais velhas, que tem bastante experiência, já entenderam bem o caminho das pedras. O time de football brasileiro que conseguir desvencilhar seus planejamentos da cultura imediatista que temos aqui no Brasil. De não tentar copiar NFL que é absurdamente ridículo, de não pensar como o Soccer nacional onde o jogador é mais importante do que o treinador. Essas vão evoluir. Vejo o Challengers como a melhor equipe do país hoje em evolução técnica e física, infelizmente fora dos Playoffs. Vasco Patriotas, como um conjunto espetacular. Flamengo com uma O-Line muito forte e uma secundária muito técnica. O Corinthians como um time fortíssimo, físico, técnico. No TTD tem hoje, 8 dos 10 melhores times do país. Isso é muita evolução de Football. O TTD força as equipes a se reformular, a se refazer, força a equipe a se fortalecer, mas força dando apoio, dando possibilidades de crescimento, isso é o que uma Liga, uma instituição deve fazer. Por isso as equipes têm evoluído tanto. Ainda sonho em ver os estaduais com Sub 19 e Nacional do TTD com equipes principais, para mim, esse é o caminho da para a profissionalização deste esporte em menos de 10 anos.   (TOUCHDOWN) Pode deixar um recado para os fãs do Jaraguá Breakers e do Torneio Touchdown?  Não. Não vou deixar um recado de pedido para que vá apoiar time, esse tipo de coisa. Essa torcida não precisa disso. Quero deixar aqui, um MUITO OBRIGADO  a todos fãs do Breakers. Vocês são 8 – 0 no Nacional 2013. Parabéns Fanatics Breakers!   Imagens:
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