Jack of All Trades - 14.05.2012

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JACK OF ALL TRADES

A expressão “Jack of all trades” equivale um tanto ao nosso “Pau pra toda obra” ou “Mil e uma utilidades”.   É também uma canção de Bruce Springsteen, mas o músico que nos interessa agora é o gaúcho Jack, como é conhecido Paulo de Tarso Pillar, o técnico do Porto Alegre Bulls , desde que ganhou o apelido ainda no colégio pela sua semelhança com o cantor Jack Johnson após um corte de cabelo. O Espírito da Música se manifestou cedo. Bom, eu fui criado num centro espírita desde pequeno, e nesse centro abriram umas aulas de violão. Como eu sempre gostei de música... Fui tentar. Apaixonei-me pela música e comecei a estudar 6 horas por dia, todos os dias. Depois de um ano estudando e tocando, substitui meu professor. Ali eu vi que eu tinha jeito pra coisa de "ensinar" (risos). Daí  foi evoluindo naturalmente do violão pra guitarra, da guitarra pro teclado, do teclado pro baixo, do baixo pra percussão... Um Mosaico de preferências. Jessé, Jorge Ben, Seu Jorge, Lenine, Paralamas, Arlindo Cruz, Sombrinha... E de Iron Maiden até Michael Bublé  compõe o panorama do gosto musical do HC do Bulls, que é baixista da banda campeã do Festival Interno da Canção Anchietana (FICA), no qual Jack foi escolhido o melhor baixista.  Toco na Mosaiko, com um som puxando pro samba-rock. Os guris são bons. Gente talentosa na banda faz uma diferença absurda Música e Futebol Americano em harmonia. Acredito que nos dois tu tens que te empenhar MUITO. É  preciso ser muito inteligente e coordenado para ambos. É uma exigência mental muito grande, muitas horas de treino. Estudar, estudar e estudar. Comparar com bandas é difícil, mas se eu fosse comparar, por exemplo, o New York Jets (meu time) com uma banda... Talvez comparasse com o Los Hermanos... Ninguém sabe exatamente se está organizado ou não, se vai voltar a brilhar ou não. Todo mundo sabe que tem potencial, mas poxa, sempre tem um porém pra voltar! (risos) Futebol Americano apareceu por acaso.  Bah, foi muito por acaso, muito MESMO. Tenho  um amigo que jogava rugby. Certo domingo ele me ligou e perguntou o que eu fazia de tarde... Falei que não fazia nada demais, daí ele me perguntou se eu não tinha vontade de jogar FA no time de um amigo dele, o Cristiano Leão.  Perguntei se ele era louco, porque eu com esse meu físico de filé de borboleta iria morrer (risos). Daí ele falou que como eu já jogava futebol eu poderia ser kicker, correr com a bola... Enfim fiz o primeiro treino lá no Beira-Rio, totalmente sem pad, sem nada.  Na época o Bulls ainda era “no pads”. Comecei treinando como WR e me apaixonei. Na segunda-feira já estava vendo vídeos de WR's como Brandon Marshall e Jerry Rice, e comecei a estudar em cima dos vídeos, como um WR se comportava, como eram as rotas, enfim... No segundo treino eu ja conhecia todas as rotas, eu acho, de tanto ver os vídeos! Daí o Cristiano descobriu que eu era formado em educação física. Fui passando os aquecimentos, fui estudando os “drills”  de cada posição até que o Leão e o Junior Colman  me perguntaram se eu não tinha interesse de assumir como HC. Achei que eles só podiam estar malucos. Eu tinha menos de um ano de FA, não sabia como os outros jogadores iriam reagir, enfim mas aceitei e corri atrás.  Descobri o curso da USA Football que forma HC's a distancia, tipo EAD, e aí sim peguei as minhas certificações de flag e tackle football. Consequentemente o time começou a ter uma proposta bem mais séria a respeito do FA. Fui estudando mais, pegando as outras certificações: sub 8, sub10, sub 12, comprando livros, baixando playbooks da NFL, até que surgiu o TTD, a nossa luz no fim do túnel, e não era o trem vindo na nossa direção! Fui  correndo atrás da história de alguns treinadores, como o Rex Ryan, o Chip Kelly (do Oregon) que são treinadores que me inspiram pela criatividade dos playbooks. E estudo todos os dias, pelo menos duas horas, vejo vídeos de treinamentos, leio artigos.  Eu quero me dedicar única e exclusivamente à formação de jogadores e ao coaching. Aqui no sul a gente tem um potencial incrível ainda mal-explorado. Eu sou professor, já está no sangue mesmo. O que  a estreia do Bulls no Torneio Touchdown  pode trazer para o time e o FA em Porto Alegre.  Muita coisa, definitivamente. Primeiro a exposição pra todos os gaúchos do FA organizado, mostrando que é um esporte em crescimento, mas num crescimento organizado com seriedade e profissionalismo.  Para nós, uma competição de alto nível, com grandes times e grandes jogadores. Uma competição que a grande maioria deles nunca vivenciou num nível altíssimo, com certeza.     Queremos mostrar pra todos do TTD que não estamos entrando só pra competir. Temos um projeto à longo prazo que com certeza vai dar resultados. Principalmente para o crescimento do Futebol Americano no sul.  Acho que essa, pessoalmente, é a minha maior preocupação. A roda tem que girar, jogadores novos precisam aparecer, e se consguirmos conquistar, por exemplo, crianças pra ver o esporte, com certeza ele vai crescer. Queria eu ter tido essa oportunidade quando eu era guri!  Ver um torneio de FA tão de perto. A gente tem que desmistificar isso de que é um esporte violento, ai sim, atrairemos mais simpatizantes. O Bulls vai dar o seu melhor no TTD, é o torneio das nossas vidas.  O Porto Alegre Bulls vai estrear no Torneio Touchdown em 8 de julho de 2012, visitando o T-Rex, em Timbó, SC. Texto: André José Adler Foto cedida por Paulo de Tarso Pillar. The Coach can play! Pillar e sua banda premiada!   [youtube id="AIXXgjo97K8" width="600" height="350"]   Imagens:
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