ENTRE CRÂNIOS E CAPACETES - 13.05.2012

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Perto de mil pessoas estarão fazendo o Torneio Touchdown IV acontecer em campo e fora dele este ano. Ninguém no Brasil cresceu jogando futebol americano, e os seus participantes de hoje chegaram à ele vindo de uma grande variedade de formações e atividades.  Durante os próximos meses vamos conhecer aqui um pouco dos seus caminhos.   Em 11 de fevereiro de 1970, exatamente um mês após o Kansas City Chiefs derrotar o Minnesota Vikings por 23-7 no Super Bowl IV, nascia um menino em Mato Grosso do Sul, que mesmo lidando com a morte por profissão, daria vida a um time de futebol americano no Brasil. Conversamos com Silvio Torres, HC do Campo Grande Gravediggers, numa pausa do seu serviço no necrotério. Exercendo uma função que era reservada à sacerdotes no Egito Antigo. Em 1992 fiz vestibular para Química, e em 93 já estava pedindo a Deus que me tirasse dessa roubada. Aí apareceu um concurso público, da UFMS, e eu vivia indo no laboratório de anatomia humana porque sempre quis ser médico... Resolvi encarar esse concurso, porque se saísse da faculdade, meus pais iriam me tirar da capital, pois eu nasci em Corumbá, no meio do Pantanal... E foi assim, que me tornei técnico em Anatomia e Necropsia, especialista em citologia pelo INCA-RJ, com formação em Tanatopraxia (embalsamamento). Trabalho atualmente no Hospital Universitário da UFMS, no turno da 00:00h ás 6:00, com plantões nos finais de semana de 24h, no domingo. Foi da minha profissão que tirei o nome do time*. De Tanatos (deus da morte) a Eros (deus do amor). Ou como surgiu a paixão de Silvio pelo futebol americano. Foi em 2005, quando fui ao Rio de Janeiro pra fazer a especialização no Instituto Nacional do Câncer (INCA). Conheci o futebol americano de praia através do América Red Lions. Antes, desde 1986, já acompanhava o FA pela Band, (quando dava, né?), com as narrações de Luciano do Vale e comentários do Juarez Soares, o “China”, porque em Corumbá não pegava outra rede que não a Rede Globo, e eu vivi lá até janeiro de 1986. Em fevereiro de 1986, fui fazer curso técnico em mineração em Ouro Preto MG, e lá fui apresentado às outras redes de televisão. Foi quand comecei a me interessar pelo Green Bay Packers. Primeiro, porque eram verde e amarelos, e segundo, porque eram uma franquia de uma cidade, e não corriam o risco de mudar de nome. Do Red Lions à “invenção” do Gravediggers pela televisão. Eu fui reserva do Hamez Rage, left guard. Fui Vice do Carioca Bowl em 2005,  Campeão do Saquarema Bowl em 2006. Depois joguei só uma partida pelo time em julho de 2006. De la pra cá, fiquei só alimentando o sonho de montar um time aqui no MS. Aí, nos playoffs da NFL de janeiro de 2008, eu tomei a decisão de enviar emails pra todas as redes que transmitiam os jogos, e numa delas o email foi lido. Nesse email, eu dizia que JÁ HAVIA um time de FA em Campo Grande, o Campo Grande Gravediggers. Detalhe: o time era só eu. Recebi uns 20 emails em 2 quartos de jogo, e dei inicio ás reuniões em minha casa, 1ª sede do time.No Super Bowl, em fevereiro de 2008, foi oficialmente fundado time, com 4 pessoas, dentre elas o Lúcio Alves, que depois jogaria no SP Storm. O Gravediggers joga amistoso equipado contra o Sinop Coyotes, numa preliminar de Cuiabá Arsenal e Tubarões do Cerrado no Torneio Touchdown 2009, mas Silvio fica em casa. Sim, foi o 1º jogo,mas eu não participei, pois estava afastado do time nessa época por razões particulares, a troca de veículo, com o aumento no aluguel, a decisão de morar junto com minha atual esposa, tudo isso me fez parar uns meses com o FA, porque eu sabia que não ia conseguir conciliar. Foi um "recuo estratégico", como diria o 2º Tenente Tôrres (meu pai). Mas me lembro perfeitamente que,na noite anterior ao embarque, ainda tentaram me convencer, mas a prudência me fez desistir.Talvez se tivessem tentado mais um pouquinho, eu teria cedido,quem sabe... O time inventado assistindo NFL chega ao Torneio Touchdown IV.  Neste momento, estou sentindo a mesma emoção que senti no dia 19 de dezembro de 2011, quando meu filho nasceu. É um orgulho tão grande participar do TTD, dirigindo o time que ajudei a criar, que às vezes chego à esquecer que o caminho foi e é árduo. Ainda temos muito a aprender, somos os pioneiros do MS, mas os caçulas do torneio,e a cada dia que passa, é um dia a menos de preparação.  Curto esse time como curto meu filho, e é por isso que ás vezes tenho que ser rígido, e falar não aquilo que o atleta quer ouvir, mas o que é melhor pra equipe. Porque não há um esporte como o futebol americano. Aqui a palavra equipe ganha novo significado. De olho nos grandes técnicos da National Football League.  Da NFL, eu admiro o Lovie Smith, o Mike McCarthy e o Andy Reid. Lógico que vou puxar a brasa pra minha sardinha, o Mike McCarthy sempre será meu preferido, apesar de que os atletas do meu time dizem que se eu deixar o bigode crescer, vou ficar o sósia do Andy Reid (risos). Mas isso é pura especulação, sou mais bonito que ele, só preciso ser tão eficiente quanto esses 3 citados. O Campo Grande Gravediggers vai estrear no Torneio Touchdown em 30 de junho de 2012, recebendo o Ribeirão Preto Challengers. *Gravediggers=Coveiros Texto: André José Adler Fotos cedidas por Silvio Torres. Imagens:
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